1# SEES 11.12.13

     1#1 VEJA.COM
     1#2 CARTA AO LEITOR  UMA MANCHA NO PETRLEO
     1#3 ENTREVISTA  RAUL HENRY  O RETROCESSO  INACEITVEL
     1#4 CLAUDIO DE MOURA CASTRO  O CASO DOS MECNICOS QUE SABIAM LER
     1#5 MALSON DA NBREGA  A PORTA DE SADA DO BOLSA FAMLIA
     1#6 LEITOR
     1#7 BLOGOSFERA
     1#8 EINSTEIN SADE  TRATAMENTO DO CNCER DE PELE

1#1 VEJA.COM
S DEU ELE
A estreia de Fbio Porchat aconteceu em 2005, na pea Infraturas, mas foi neste ano que o ator carioca roubou a cena. Um dos criadores do Porta dos Fundos, o canal brasileiro mais popular do YouTube, com 6,6 milhes de seguidores. Porchat tomou p aos poucos em outras reas do entretenimento. A publicidade o adora: ele  garoto-propaganda de sete marcas, em um total de 1531 inseres comerciais em 2013. Indiferente  superexposio, Porchat diz que aproveita o momento e que  por que no?  faria at novela, caso fosse convidado. E participa de um hang-out nesta segunda-feira, no site de VEJA, para falar da dublagem na animao Frozen, da Disney.

ESTREIA EM VEJA.COM
O jornalista e escritor Felipe Moura Brasil  o novo integrante do quadro de colunistas do site de VEJA. Organizador do livro O Mnimo que Voc Precisa Saber para No Ser um Idiota, com textos do filsofo Olavo de Carvalho, Moura Brasil  autor atuante na internet. Em VEJA.com escrever, com a irreverncia que sempre o caracterizou, sobre temas variados. 

OS KITS DEDILHA
A presidente Dilma Rousseff adotou um caminho fcil e seguro para garantir uma rede de apoio nos pequenos municpios do pas. At o ano que vem, o governo vai gastar 5 bilhes de reais para distribuir "kits" com mquinas como motoniveladoras, retroescavadeiras e caminhes-caamba. At agora, foram entregues 8949 equipamentos. Reportagem no site de VEJA mostra que o roteiro no muda: a comitiva presidencial pousa em alguma regio, anuncia a entrega das mquinas, recebe o aplauso dos polticos locais e zarpa rumo  prxima escala. Em 2014, o governo pretende atender 91% dos municpios brasileiros. 

APELO AOS ASTROS
"A nica funo das previses econmicas  fazer com que a astrologia parea respeitvel", disse certa vez o economista canadense John Kenneth Galbraith. O que acontece, ento, quando as duas "disciplinas" se misturam? O site de VEJA conversou com executivos que seguem as recomendaes de astrlogos para vender empresas e fechar grandes contratos. A astrologia financeira, no entanto,  um negcio em expanso, que vai alm dessa variedade comezinha. Em suas verses mais pretensiosas, ela comea a usar tcnicas do Big Data para correlacionar os movimentos dos mercados e dos astros. 


1#2 CARTA AO LEITOR  UMA MANCHA NO PETRLEO
     Uma reportagem desta edio de VEJA foca a delicada situao a que foi levada a Petrobras, smbolo da engenhosidade ptria, das imensas riquezas naturais do pas e esperana de progresso material, social e econmico de todos os brasileiros. A empresa perdeu em apenas uma semana 10% de seu valor em aes. Desde 2012, essas perdas acumuladas deixaram a Petrobras com apenas a metade de sua valorizao em bolsa.  perturbador, ainda mais quando se levam em conta as condies dessa destruio de riqueza. A Petrobras est sendo vtima da interveno direta do governo em sua gesto. Braslia tenta, assim, mascarar erros grosseiros de sua poltica econmica.  algo indito, uma vez que, mesmo controlada pelo governo, a Petrobras  uma empresa de capital aberto. 
     A empresa correu o mundo em busca de investimentos para explorar o petrleo incrustado nas rochas da camada de pr-sal do litoral sudeste do Brasil. Apesar das dificuldades de extrair petrleo em profundidade equivalente  do Monte Everest de cabea para baixo, o tamanho das bacias entusiasmou os investidores, que confiaram, ento, 70 bilhes de dlares  Petrobras para que ela trouxesse o cobiado ouro negro das profundezas. Ocorre que a Petrobras foi forada pelo governo a gastar parte do dinheiro dos investidores para subsidiar o preo da gasolina e do diesel, na tentativa de segurar a inflao. Uma deciso pouco transparente e perigosa. Pouco transparente porque os investidores minoritrios foram lesados em sua  boa-f. Perigosa porque subsdio a combustvel  uma forma insustentvel de controlar a inflao.  uma bomba de efeito retardado. Inflao se controla com poltica fiscal responsvel e taxa de juros. 
     A queda das aes da Petrobras no incio da semana passada no foi mais um movimento especulativo porque o mercado achou pequeno o aumento de 4% para a gasolina e de 8% para o diesel. Foi a gota d'gua em um copo cheio de desconfiana. Ficou claro para os investidores que a Petrobras no tem autonomia e  usada para atender aos interesses do governo brasileiro. O problema mais imediato dessa tragdia anunciada  que, j no limite do endividamento, a Petrobras vai precisar, s em 2014, de 25 bilhes de dlares para extrair o petrleo do pr-sal. De onde quer que saia esse dinheiro, ele custar muito mais caro para os brasileiros. 


1#3 ENTREVISTA  RAUL HENRY  O RETROCESSO  INACEITVEL
O autor do projeto de uma Lei de Responsabilidade Educacional prope a cassao dos direitos polticos de todo governante que entregar o ensino pior do que o encontrou.
MONICA WEINBERG

H trs anos o deputado federal Raul Henry (PMDB-PE) no tem outro assunto que no seu projeto para a implantao no Brasil de uma Lei de Responsabilidade Educacional. O principal tpico, e tambm o mais polmico,  aquele que sugere a cassao dos direitos polticos de todo prefeito ou governador que, ao fim do mandato, tiver dado marcha a r nos indicadores do ensino. A verso final do texto, que mesmo com o tom suavizado ainda causa acaloradas controvrsias no Congresso Nacional ser apresentada a uma comisso especial da Cmara na prxima semana. Se aprovada, vai a plenrio. Aos 49 anos, economista de formao e em seu terceiro mandato (um deles como deputado estadual), Henry diz que sua briga  s para garantir o mnimo. 

Por que criar uma lei para excluir da poltica governantes que retrocedam na educao? Eles j no so punidos pelo voto? 
Historicamente, educao pblica no tira nem d voto no Brasil. Isso porque a grande maioria acha que, desde que no faltem uniforme, material e merenda, est tudo muito bem. Uma pesquisa do MEC chama ateno para essa viso limitada sobre o que se passa de verdade nas escolas brasileiras. Os pais do nota 8,5 para o ensino oferecido aos filhos. Isso mesmo: segundo eles, estamos entre os melhores. Infelizmente, o eldorado no resiste a uma consulta ao ranking mundial. O ltimo saiu na semana passada, e mostra o Brasil em queda: era o 53 da lista: agora est em 57 entre 65 pases. Mas o brasileiro continua sendo generoso ao avaliar a educao  e, se est to satisfeito, no vai fazer presso por mudanas. Por isso, precisamos de um estmulo de fora, institucional, para garantir pelo menos o mnimo: que no voltemos atrs. 

Nenhum pas do mundo implantou sistema parecido com o que o senhor prope. Por que daria certo aqui? 
As sociedades do mundo mais desenvolvido encontram na prpria cultura um ambiente de intolerncia com a m prestao de servios pblicos. A sia, por exemplo, tem a tradio milenar da responsabilizao e da cobrana de resultados; isso est enraizado em seu DNA, no  necessrio uma lei para criar a presso. A mesma coisa ocorre em pases do Norte europeu, como Noruega e Finlndia. No Brasil  diferente. Precisamos de uma soluo prpria para esse cenrio de dormncia em relao  nossa tragdia educacional. Agora, no seremos os primeiros a punir autoridades incapazes de zelar pela qualidade na sala de aula. Na Inglaterra e nos Estados Unidos, um resultado catastrfico pode levar at ao fechamento de uma escola. Estou sugerindo um caminho original,  verdade, mas foi o que me pareceu mais factvel. 

Por que seu projeto prev punio apenas para o mau governante, e no para a escola e os educadores envolvidos no fiasco educacional? 
Ouvi as cabeas mais lcidas do pas sobre o assunto, todas radicais na defesa da meritocracia, e mesmo elas concordam que, neste momento, instaurar um sistema de responsabilizao to severo sobre a escola poderia espantar das redes de ensino no s os maus profissionais, mas tambm os de alto nvel. Essa  uma discusso complexa, que esbarra no corporativismo sindical. Se partisse para um texto muito rgido, no teria chance de ir adiante. Pensei, portanto, em algo realista, vivel do ponto de vista poltico, e que contribusse para forjar, em alguma medida, uma nova cultura no pas. 

Como o senhor imagina que essa nova cultura se sedimentaria? 
Com a lei, o prefeito vai avaliar duas vezes se vale a pena romper com uma poltica que est dando certo, mesmo que ela seja herana de um grupo rival. Antes de decidir imprimir uma marca prpria a qualquer custo, hbito to comum no Brasil, o governante far no mnimo um clculo, j que o bom resultado o beneficiar diretamente.  razovel pensar tambm  que ele refletir melhor antes de cair na tentao de desviar dinheiro da sala de aula. A lei pode ainda servir de estmulo para a formao de equipes mais tcnicas  de secretrios de governo a diretores de escola. Essas escolhas so frequentemente marcadas por puro fisiologismo. Em muitos lugares do Brasil, um diretor exemplar pode ser destitudo do cargo porque no cumpriu bem seu papel de cabo eleitoral.  uma aberrao. Perdem os estudantes e perde o pas. 

Por que seu projeto se atm  punio para aqueles que fracassarem e no prev nenhuma espcie de incentivo a estados e municpios que conseguirem elevar o padro? 
Cheguei at a formular uma verso da lei que previa um bnus aos que apresentassem progresso, mas esbarrei logo de sada em um obstculo de cunho prtico. A consultoria da Cmara avisou que, se inclusse esse artigo, teria de mexer, em paralelo, na Lei do Oramento; para criar uma despesa, precisaria cancelar uma antiga ou estabelecer uma nova receita, como reza a Lei de Responsabilidade Fiscal. Seria complicado tambm do ponto de vista ideolgico. A ideia da meritocracia  rechaada at hoje em muitos crculos da educao. E olhe que, mesmo sem tocar  nesse tema, o projeto j encontra grandes resistncias. 

Quem se ope? 
Os sindicalistas, uma parcela da academia e o governo. Numa discusso sobre o projeto, o secretrio do MEC Binho Marques se dirigiu a mim e disse: "Deputado, o senhor deveria receber uma medalha por sua paixo pela educao, mas est na trilha errada". 

Quais so as crticas objetivas ao projeto? 
Nenhum deles gosta do princpio da responsabilizao da escola. Dizem que a presso externa  contraproducente. Sei que estou diante de uma pedreira. Muita gente no Congresso vem dos sindicatos de professores, outros so ex-reitores e acadmicos em geral. Esses grupos esto fincados sobre fundamentos ideolgicos parecidos. A academia, alis, tem sido a vanguarda do atraso no Brasil. O que mais me incomoda, porm, no so as divergncias no campo intelectual, mas a argumentao pedestre de alguns que priorizam a luta por suas bandeiras em detrimento do interesse geral e inadivel. 

Em sua proposta, o resultado no Ideb (o indicador de qualidade do ensino do MEC) passaria a ser usado para apontar quais governantes merecem perder os direitos polticos. O risco de tentarem manipular os dados no  alto? 
Um prefeito pode tentar enviesar os resultados, inscrevendo na prova oficial, por exemplo, s os melhores alunos, ou ainda maquiando os dados de aprovao, que compem o Ideb. Ser preciso ficar bem atento a isso. Ando falando com promotores de todo o pas: o Ministrio Pblico tem vontade poltica e capacidade para fiscalizar. 

Ser que o MP tambm ter condies de analisar, caso a caso, as excepcionalidades que podem livrar um governante da degola  todas previstas no projeto? 
Acredito nisso. Sim, porque o que proponho no  um rito sumrio; o prefeito e o governador tero a possibilidade de se defender. Uma cidade pode ser atingida por uma catstrofe natural devastadora, com consequncias de longo prazo. A a qualidade vai cair, ainda que o governante faa tudo certo. E se um grupo de sindicalistas armar uma greve s para refrear os avanos e atrapalhar o adversrio poltico no poder? Caso o prefeito consiga provar, dentro do sistema legal e de forma razovel, que fez tudo o que est previsto por lei em prol do ensino  e foi prejudicado por algo externo, impondervel , ele pode vir a ser poupado. 

Pases que obtiveram avanos considerveis no ensino elaboraram planos de longo prazo para a educao e os seguiram com disciplina e rigor. Por que o nosso PNE, que j devia estar valendo para esta dcada, no ata nem desata no Congresso? 
Tem muita gente com opinies e interesses conflitantes participando do debate. E o ritmo do Congresso  naturalmente lento. Ele s funciona com celeridade mesmo quando est sob presso pesada. As manifestaes deste ano trouxeram isso de bom: um sentido de urgncia na votao de projetos que se arrastavam na burocracia de Braslia. At a educao acabou sendo beneficiada, com a aprovao a jato da lei que destina o dinheiro dos royalties do petrleo para o ensino. Mas, infelizmente, aquele encanto j se desfez, e voltamos  inrcia de antes.  um escndalo que um plano que estipule objetivos e metas para a presente dcada no tenha sido aprovado em 2013. So trs anos de atraso. Trs anos sem um norte. 

 ao menos um bom plano? 
Trata-se de uma carta de intenes em que cabe tudo. As metas esto todas l, mas o problema  que, se no forem cumpridas, ningum ser responsabilizado.  isso mesmo: nada acontece. Acho que o plano toca em um ponto essencial: a necessidade da formulao de um currculo nacional organizado com o contedo mnimo esperado para cada disciplina.  uma medida bsica e crucial, mas vem sofrendo srias resistncias por parte daqueles que acham que um roteiro sobre o que ensinar retiraria a autonomia e a criatividade do professor. Seria uma  camisa de fora, dizem.  curioso que, mesmo nas discusses do Plano Nacional de Educao, no Congresso, se evita a palavra currculo. No lugar dela, aparecem no texto '"expectativas de aprendizado", "base nacional comum". Enfim, uma batalha semntica absolutamente sem sentido. 

Falta, afinal, dinheiro para a educao no Brasil? 
Investimos 5,8% do PIB em educao, o que no  pouco, mas, em valores absolutos, no chega a um tero do que pases da OCDE destinam s escolas. Em outras palavras, acredito que, sim, dinheiro pode ajudar em algumas frentes  como aumentar o salrio inicial do professor para que a carreira se torne mais atrativa aos bons alunos. Hoje, so os piores estudantes do ensino mdio que, sem chances de entrar num curso mais disputado, como direito ou medicina, acabam nas faculdades de pedagogia. Mas mexer apenas no salrio no basta, e isso a experincia internacional j mostrou. Jovens talentosos s vo optar pela docncia se enxergarem nela bons desafios, oportunidades de crescer intelectualmente e um ambiente favorvel ao mrito. Isso ainda  raridade no Brasil. 

As faculdades de pedagogia tambm no precisariam de uma boa reforma? 
Sem dvida. Elas so tericas e ideolgicas no lugar de ensinar a ensinar. O governo federal poderia ajudar a mudar essa velha mentalidade, o que se eximiu de fazer at ento. O ministro Mercadante, que est muito mais preocupado com a poltica eleitoral do que com a educao, diz que  difcil: que as universidades tm autonomia e no d para mexer nesse vespeiro. Mas d, sim. O governo tem seus instrumentos. Alis, est a um exemplo em que mais dinheiro no resolve nada. Precisa mesmo  de vontade poltica. Tambm acho que podemos fazer muito mais com o que j temos em caixa.  triste, mas nem sempre os recursos no Brasil chegam ao lugar a que deveriam chegar. 

O senhor poderia dar um exemplo? 
A Controladoria-Geral da Unio apurou que, no ano passado, 17% dos recursos do Fundeb foram descontados na boca do caixa, em dinheiro vivo.  um indcio fortssimo de desvio. S para lembrar, estamos falando do fundo destinado  educao bsica, essa mesma que, entra ranking, sai ranking, rasteja diante dos outros pases. O pior  que o governo continua a sustentar que vai tudo bem, pintando em seu discurso ufanista um retrato fantasioso. 

Em quais dados o governo se baseia? 
Dizem que melhoramos em relao a ns mesmos, quando at os dados do MEC apontam para uma estagnao e at retrocesso em algumas sries. E pergunto: no estamos em plena era da competio global? A corrida  com os outros. Vi os ltimos dados da Organizao Internacional do Trabalho e fiquei espantado. A produtividade do brasileiro  baixa: corresponde a 18% da americana, e vem caindo. Evidentemente, isso no  fruto de um pas que est fazendo seu dever de casa em relao  educao. s vezes, indago a meus colegas de Cmara: "O Brasil est na rabeira e no vamos fazer nada?".  preciso quebrar essa lgica silenciosa que perpetua o fracasso. 


1#4 CLAUDIO DE MOURA CASTRO  O CASO DOS MECNICOS QUE SABIAM LER
     Segundo alguns historiadores, houve dois sacolejes maiores na histria da humanidade. O resto foi tremelique. O primeiro foi a domesticao de cereais  comeando com o trigo selvagem. Com isso, gerou-se uma relativa abundncia de alimentos, o que permitiu s tribos, at ento nmades, sedentarizar-se. As cidades trouxeram a densidade humana requerida para o fermento da criatividade e para inmeras atividades produtivas e artsticas. Afirma-se que elas foram a grande inovao de todos os tempos. Mas a agricultura induziu o seu desenvolvimento. 
     A segunda transformao drstica foi a Revoluo Industrial. Um tecelo, em Constantinopla, trabalhava trs horas para comprar um po de meio quilo  o mesmo que na Roma de Csar. A partir de 1600, o tempo baixou para duas horas. Hoje so necessrios cinco minutos. Esse espantoso salto de produtividade tornou possvel oferecer a todos um padro digno de vida.  
     Mas por que a Revoluo Industrial aconteceu na Inglaterra, no sculo XVIII? Jazidas de minrio de ferro e carvo mineral? Imprio da lei e estabilidade poltica? Lei de Patentes? Avanos na cincia? tica protestante? 
     Tudo isso teve peso, mas h uma nova explicao, curiosa e persuasiva (William Rosen, The Most Powerful Idea In lhe World). Como resultado do desenvolvimento das escolas inglesas, pela primeira vez na histria apareceram mecnicos capazes de ler artigos cientficos. E tambm de se corresponder com colegas e pesquisadores. 
     Os bons mecnicos sabiam lidar com mquinas e construir toda espcie de engenhoca. Mas aos que tinham novas ideias faltavam o horizonte intelectual e a motivao para implement-las. 
     No mundo das sociedades cientficas de ento, os pesquisadores elucubravam, at experimentavam, seguindo o mtodo terico-emprico, proposto por Bacon. Mas no sabiam fazer coisas, no conheciam a manufatura. Portanto, no puderam ir muito longe na utilizao prtica dos seus inventos. Os avanos do pensamento no tinham pontes para o mundo da indstria. 
     Fora do Olimpo cientfico, na sociedade hierarquizada e rgida da poca, alguns mecnicos perceberam que a Lei de Patentes era a porta que se abria para um operrio mudar de vida. E, como bons protestantes, acreditavam que Deus gostava de quem ficava rico. 
 ento que entram em cena os mecnicos-leitores. Na nsia de ficarem ricos, comearam a escarafunchar o que escreviam os cientistas  como Boyle, que formulava os princpios conectando presso, temperatura e volume. Como tinham amigos com interesses similares, trocavam cartas, discutindo seus projetos. 
     Perceberam que, se inventassem, se inovassem, poderiam abrir empresas e que patentes poderiam proteger suas novidades. Um exemplo clssico foi um novo perfil no filete da rosca de um reles parafuso. O invento do senhor Joseph Whitworth  usado at hoje e foi um dos primeiros de uma srie de muitos que o tornaram milionrio. A sua magnfica casa virou um museu de tecnologia. 
     Uma alternativa era associar-se a banqueiros. Quem passar na porta de um certo restaurante, no centro de Manchester, ver um cartaz dizendo que ali, na virada do sculo XX, se encontraram um mecnico e um banqueiro, com a finalidade de forjar uma sociedade. Um se chamava Rolls e o outro, Royce. 
     Os tais mecnicos-leitores comeam a inovar, criando bombas a vapor, teares e uma infinidade de pequenas invenes que permitem os grandes saltos subsequentes. 
     O inventor do motor a vapor, James Watt, por haver feito um aprendizado em construo de instrumentos cientficos, trabalhava como vidreiro da Universidade de Glasgow. Convivia, portanto, com Adam Smith e David Hume. So tais pontes com o mundo das ideias que fertilizaram as inovaes. 
     A primeira locomotiva de sucesso (1829), chamada Rocket, embarcava mais de 1000 patentes, registradas por mecnicos que, como Whitworth, viravam milionrios. 
     Portanto, os mecnicos-leitores foram diretamente responsveis por uma das duas mais importantes transformaes da humanidade. Sugestivo, pois no?
CLAUDIO DE MOURA CASTRO  economista
claudiodemouracastro@positivo.com.br 


1#5 MALSON DA NBREGA  A PORTA DE SADA DO BOLSA FAMLIA
     O Bolsa Famlia, ttulo que Lula deu ao conjunto de programas sociais herdados do governo FHC, completou dez anos de xito. Na realidade, ao longo de mais de duas dcadas, os programas de transferncia condicionada de renda tm sido uma experincia vitoriosa em todo o mundo, embora sujeita a erros de interpretao. Um deles  rotul-los de assistencialistas; outro  achar que criar empregos  a porta de sada para eliminar a dependncia do benefcio. 
     Tais programas comearam a ser pensados nos anos 1970, quando se provou a correlao positiva entre educao, produtividade e crescimento econmico. Este  maior quanto menor for a pobreza. Depois, a neurocincia constatou que existe um perodo crtico durante o qual a criana se prepara para o continuado avano no conhecimento.  a que ela deve estar na escola.  
     A ideia inicial era assegurar uma renda mnima s famlias pobres. O pioneiro foi o economista americano Milton Friedman (1912-2006), um conservador. Mais tarde, evoluiu-se para condicionar a concesso do benefcio  obrigao de pr os filhos na escola e de lev-los aos postos de sade para vacinao e outros cuidados. No Brasil, o programa surgiu em 1995, em Campinas e no Distrito Federal. Depois se espalhou por outros locais. No perodo FHC, recebeu o apoio federal. Ficou conhecido como Bolsa Escola. 
     A rea acadmica se interessou pelo assunto. Foi o caso do economista Jos Mrcio Camargo, professor da PUC-Rio. Ele mostrou que as famlias pobres dependiam do trabalho dos filhos para sua prpria sustentao. As crianas no iam para a escola e por isso seriam os pobres de amanh. E assim sucessivamente. Jos Mrcio defendeu uma verso ampliada do Bolsa Escola, o que permitiria reduzir drasticamente a pobreza e a desigualdade. O crculo vicioso se interromperia. As famlias "receberiam" para retirar os filhos do trabalho e coloc-los na escola. Jos Mrcio escreveu um texto com Francisco H.G. Ferreira que propunha a unificao dos programas existentes (o Bolsa Escola e outros como o Vale-Gs). O estudo, que deve ter inspirado o Bolsa Famlia, est no endereo http://www.econ.puc-rio.br/pdf/td443.pdf. 
     Alm de ideias para evitar fraudes e desperdcios, o estudo abordava formas de assegurar a oferta de servios pblicos de sade e educao. Lula tinha outra proposta, a do invivel Fome Zero, mas, a exemplo do que fizera em relao  gesto macroeconmica de FHC, resolveu manter os programas herdados e ampli-los. Sbia deciso. Infelizmente, ainda no foi possvel prover educao de qualidade s crianas abrangidas pelo programa. 
     O Bolsa Famlia atende 13,8 milhes de famlias ao custo relativamente baixo de 0,5% do PIB. Contribuiu para reduzir a pobreza e a desigualdade. Se receberem educao de qualidade, as crianas beneficiadas pelo programa se tornaro adultos capazes de chefiar famlias livres da pobreza. Por isso, esse  o nico programa social autofgico. 
     Uma das consequncias positivas do programa  permitir s mes abandonar o mercado de trabalho e dedicar-se aos seus filhos. Elas recebem os pagamentos mensais e gerenciam as despesas familiares. Assim, caiu a oferta de empregadas domsticas, o que  um bom sinal. Erra quem pensa que isso  ruim. O programa acelerou a transio natural observada em outros pases, nos quais o acesso  educao permitiu s mulheres disputar melhores postos de trabalho, diminuindo o universo das que buscavam o emprego domstico. A menor oferta provocou o aumento dos respectivos salrios. 
     O Bolsa Famlia no  assistencialista. Seu objetivo  assegurar que as prximas geraes das famlias assistidas no sejam pobres. Quanto  sada, esta no  o emprego, pois os pais no tm habilitaes para preencher as respectivas vagas. Tendero a permanecer em trabalho de menor remunerao. A sada  preparar as crianas para futuramente disputarem o mercado de trabalho, o que exige o cumprimento da condicionalidade bsica do programa, isto , mant-las na escola. Sem isso, a pobreza continuar a reproduzir-se e se ter garantido apenas uma renda mnima sem ascenso social das famlias. O desafio  a educao de qualidade.
MALSON DA NBREGA  economista


1#6 LEITOR
VIDEOGAMES
No tenho mais dvida: meu presente de Natal ser um desses videogames de nova gerao ("O teste da realidade", 4 de dezembro)! 
IGOR M. QUEIROZ 
So Paulo, SP 

Os novos videogames no vo entrar to cedo na minha casa. Esse consumismo desenfreado, em que se d mais valor ao ltimo lanamento da tecnologia em detrimento do carter, est criando uma gerao antenada, porm cada vez mais sem valores. A tecnologia existe para nos servir, e no para nos escravizar. 
CARLOS FABIAN SEIXAS DE OLIVEIRA 
Campos dos Goytacazes, RJ 

EMPREGO PARA MENSALEIROS 
Lendo a reportagem "Entre o lobby e a cela" (4 de dezembro), sobre as propostas de emprego para mensaleiros como Jos Dirceu, resolvi encaminhar meu currculo recheado de experincias ao longo de 45 anos de trabalho em vrias empresas, passando por funes das mais simples s diretivas, em mdias e grandes corporaes, para a direo do hotel Saint Peter, em Braslia. No encaminhamento do currculo fiz questo de dizer que "aceito a funo oferecida pela metade do salrio do Z Dirceu"  e que "nunca fui presidirio''. 
ROMRIO VARGAS
Vitria, ES 

Essa proposta de emprego de "gerente administrativo" oferecida a Jos Dirceu  um tapa na cara do trabalhador brasileiro.  por essa e por outras coisas que o Brasil vai de mal a pior. 
JEHOZADAK PEREIRA 
Framingham, Massachusens, Estados Unidas 

Desde a chegada da famlia real ao Brasil, o lobby, o "compadrismo", o "jeitinho" j eram mola usada para a escalada dos degraus sociais, como nos relata Manuel Antnio de Almeida em seu Memrias de um Sargento de Milcias. Agora, esse tipo de embuste tornou-se to desabrido que beira o ridculo. Como aceitar as imagens de mos cerradas em desafio pblico  Justia se, depois de comearem a pagar pelos seus crimes, passam a recorrer s influncias pessoais, prprias da esfera privada, para atenuar os efeitos das penas cometidas na esfera pblica? Toda aquela empfia na hora da priso, e depois cada um dos condenados procurou as mais deslavadas formas de superar as agruras das penas. E como? Valendo-se das velhas frmulas do privilgio das relaes cordiais de compadrio. GSNER BATISTA Rio Claro, SP 

FRANCISCO E O LIVRE MERCADO 
Concordo com VEJA que o livre mercado seja uma soluo razovel para os problemas da nossa era, sobretudo considerando os atuais nveis de corrupo do Estado, principalmente no Brasil, Mas  como toda proposta de soluo   apenas contingencial.  fundamental que algumas pessoas influentes, como o papa Francisco, faam a crtica, mantendo a perspectiva de um novo olhar para o futuro ("No h negociao", 4 de dezembro). A unanimidade  burra; a questo  que, atualmente, no temos soluo melhor.
GUSTAVO MAIA SOUZA 
Presidente Prudente, SP 

A Igreja Catlica de hoje, ao contrrio do que ocorria na Idade Mdia, no condena diretamente o acmulo de riquezas, nem o capitalismo, e sim a forma como  feito, quando se explora excessivamente o trabalho, no pagando salrios justos e tirando a dignidade do trabalhador. Na reportagem, destaca-se o liberalismo, de mnima interferncia do Estado. Se pases como a Argentina se utilizam da grande mquina pblica para explorar o pobre, assim como se faz no Brasil, o problema  o ser humano corrupto que se encontra por trs desse governo. 
UGO DIEGO NEIVA 
Macei, AL 

ROBERTO POMPEU DE TOLEDO 
Parabns ao articulista Roberto Pompeu de Toledo ("Bendita derrubada", 4 de dezembro). A derrubada do viaduto da Perimetral, no Rio de Janeiro, deveria ter a ressonncia histrica que teve a queda da Bastilha na Frana. Infelizmente, no Brasil  mais fcil mudar a colocao da vrgula ou o figurino. O resto  o resto. Um simples faz de conta. 
PAOLO ALOISI 
Americana, SP 

Roberto Pompeu de Toledo trouxe luz  questo da derrubada do elevado da Perimetral e apontou com brilhantismo o impacto dessa desconstruo para o resgate da regio sob vrios aspectos, incluindo a valorizao do conjunto arquitetnico colonial e a retomada da ligao histrica da cidade com o mar. 
PAULO ROBERTO FREIRE 
Rio de Janeiro, RJ 

O ltimo artigo de Roberto Pompeu de Toledo me trouxe de imediato  memria as palavras de um professor sobre a melhor definio para um pas subdesenvolvido. Dizia ele que toda nao nessa condio apresentava sempre duas caractersticas: uma carncia crnica de recursos e o fato de gastar mal os poucos recursos de que dispunha. No sou carioca, mas, como morador do Rio de Janeiro h mais de uma dcada, consigo, sem esforo, listar dezenas de problemas mais importantes e mais urgentes que o dano esttico provocado pela Perimetral. No  necessrio ser nenhum especialista no assunto para perceber que as condies em que se encontram reas como limpeza pblica, sade, segurana e saneamento prejudicam muito mais a qualidade de nossa vida. E sempre  bom lembrar que o conceito real de decidir , muito mais que escolher uma alternativa, abandonar as demais. Em um mundo real, com recursos finitos, a opo pela melhor viso da Baa de Guanabara implica o abandono ou pelo menos o adiamento de outras questes mais importantes e mais urgentes. E o pior de tudo  que esse est longe de ser um problema apenas do Rio. Em tempo: continuo sendo grande admirador do cronista. 
SYLVESTRE DE VASCONCELOS CALMON 
Rio de Janeiro, RJ 

JORGE LANATA 
Como  corajoso o jornalista Jorge Lanata ("Uma voz contra Cristina Kirchner", Entrevista, 4 de dezembro). Lamento que o povo argentino esteja acostumado com populismo desde a era Pern. 
EDIMAR JOS DA SILVA
Por e-mail 

Essa regresso que exprime o governo da Argentina, espelhado no modelo venezuelano, contrasta com as mudanas profundas que transformaram o perfil das sociedades latino-americanas ao longo dos ltimos vinte anos. Poltica hoje no  coisa de um partido, de uma instituio, de um lder.  de todo mundo. Sabe-se que a capacidade de aceitao pela sociedade de situaes absurdas tem limites. Ou a Argentina passa a levar em considerao tal aspecto ou no sai do lugar. 
HUGO COELHO 
Recife, PE 

CORRUPO NO PARAGUAI
Muito boa a reportagem sobre a onda de protestos que nossos vizinhos paraguaios fizeram contra o senador corrupto ("Os boicotados", 4 de dezembro). Pena que o resto da nossa imprensa tenha dado pouco ou nenhum destaque a um acontecimento to importante e que deveria servir de exemplo. Chegar ao extremo de um garom mandar um senador se retirar do estabelecimento porque no iria servi-lo  um acontecimento mpar na Amrica Latina. 
FERNANDO AUGUSTO RODRIGUES DA COSTA 
Aracaju, SE 

Est a uma boa ideia que pode ser posta em prtica tambm no Brasil: boicotar o poltico corrupto, declarando-o persona non grata nos shoppings, nos restaurantes etc. O brasileiro precisa aprender a mostrar sua indignao. Sugiro comear esse boicote em Braslia: que tal o hotel Saint Peter, "local de trabalho" para o mensaleiro-gerento Jos Dirceu? 
PEROLA SOARES ZAMBRANA 
Por e-mail 

SILVIO BERLUSCONI 
A est a diferena entre um pas srio e um pas que "tenta" virar srio. Se Henrique Pizzolato pensa que vai levar boa vida na Itlia, est muito enganado. L, a Justia  para todos. O ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi vai pagar pelos seus crimes com os rigores da lei, sem regalias, e no adiantar cerrar os punhos dizendo que sua cassao  poltica ("Na ptria de Pizzolato,...", 4 de dezembro). A Berlusconi resta uma sada: tentar fugir para o Brasil, onde o governo adora acolher criminosos. 
GERALDO LISBOA 
Niteri, RJ 

RENATA BUENO 
Toro para que funcione o projeto proposto pela deputada talo-brasileira Renata Bueno ("S no pode ser chamada de gata". Conversa, 4 de dezembro): boto do pnico para as mulheres acionarem a polcia em caso de perigo. Depois, o projeto poder ser ampliado para os homens.  importante  tambm  que tenhamos um policiamento apto para o socorro urgente. 
MARIA DILMA PONTE DE BRITO 
Parnaba, PI 

FERNANDINHO GUARABU 
 impressionante a capacidade desse Fernandinho de manter a "lei" e a "ordem" na comunidade em que "trabalha", no Rio de Janeiro ("E tudo isso bem ao lado do Galeo", 4 de dezembro). No seria o caso de estudar melhor essa capacidade? O que estaria faltando na nossa comunidade para acabar com o caos no trnsito, nos lares, nas igrejas, enfim, no mundo? Fernandinho, desa os morros e venha explicar para ns essa capacidade de liderana. Quem sabe no diminuam os casos de crimes comuns tambm... 
ANA MARISA DE OLIVEIRA COSTA 
Dourados, MS 

LYA LUFT 
O artigo de Lya Luft ("Tomie Ohtake e a esperana", 4 de dezembro) estimula vrias reflexes sobre longevidade, simplicidade e otimismo. Por outro vis, apresenta a questo dos limites  ou sua ausncia  e a famlia. De to profundas e necessrias palavras, utilizarei o artigo para debate com alunos do curso de medicina na UFPE: "Como adaptar a mensagem da autora e utiliz-la nas orientaes que oferecemos aos pacientes e familiares, nas consultas dos adolescentes?". Espero com isso contribuir para a "longevidade" dessas palavras e a sabedoria dos futuros mdicos. 
BETINHA C. FERNANDES 
Hebiatra e coordenadora do mdulo Assistncia ao Adolescente Faculdade de Medicina  UFPE 
Recife, PE 

Sou um executivo aposentado, com 55 anos de trabalho, sempre em grupos financeiros ou grandes corporaes. Quando a escritora Lya Luft afirma que para ter  preciso conquistar, ela tem razo. Entretanto, em geral, vale tudo para conquistar, at atos inconfessveis. Lya diz que para preservar  preciso tica e sensatez. Agora ela expe uma vontade pessoal que dificilmente encontramos no mundo real. Na prtica, quase sempre, no h tica, muito menos sensatez. Diz um velho jargo: "O lucro  privado e os prejuzos so socializados entre o grande e respeitvel pblico". Acreditem, ouvi essa frase inmeras vezes. 
STELIO GOSTISA 
Florianpolis, SC 

ITAQUERO
Em relao  reportagem "A frgil engenharia financeira" (4 de dezembro), a Odebrecht Infraestrutura e o Sport Club Corinthians Paulista esclarecem que no procede a informao de que houve alerta prvio, por parte de trabalhadores da obra ou por qualquer pessoa, na manh do dia do acidente na Arena Corinthians, sobre "deslizamento de terra" na rea de operao do guindaste. Os Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento (CID) no foram criados pela prefeitura de So Paulo especialmente para a obra da Arena Corinthians, como aponta a reportagem. Eles so uma modalidade de incentivo estabelecida por lei de 2004, que visa a atrair investimentos para a Zona Leste da cidade. A criao de um fundo imobilirio como o controlado pelo Corinthians e integrado tambm pela Odebrecht no  uma "manobra financeira"'.  um mecanismo financeiro regulamentado pela legislao e j tradicional no mercado. 
ANTONIO CARLOS DE FARIA  Diretor de Comunicao da Odebrecht Infraestrutura 
ANDR STEPAN Coordenador de Comunicao do Sport Club Corinthians Paulista 
So Paulo, SP 

AGNCIA PEPPER INTERATIVA 
Sobre a reportagem "A alma do negcio'' (4 de dezembro), lamento saber que o ministro Fernando Pimentel no se lembre de ter participado de reunio com a Pepper Interativa  uma agncia que presta muitos servios ao PT e ao governo federal e que tem como funcionria a sua esposa... Se for verdade sua falta de memria, ele tambm deveria se esquecer de ser candidato ao governo de Minas Gerais. Em menos de dois anos vejo o senhor Fernando Pimentel em destaque na mdia, por comportamentos indevidos e indignos de um cargo pblico. 
JOS XAVIER 
Guarani, MG 

A respeito da reportagem "A alma do negcio" (4 de dezembro), a Pepper Interativa presta os seguintes esclarecimentos: 1) A contratao de prestadores de servios por agncias de propaganda licitadas pelo governo  um procedimento legal, tico e em total acordo com a legislao. Nas ocasies em que prestou servios ao governo federal, via agncias de propaganda licitadas, a Pepper Interativa seguiu, assim como pauta a conduo dos seus negcios, as leis em vigor; 2) No caso da campanha de esclarecimento sobre a dengue, citado pela revista, a Pepper Interativa foi contratada por uma das agncias de propaganda do Ministrio da Sade para o desenvolvimento de uma ao, por meio do uso de SMS. O valor do contrato corresponde aos valores praticados pelo mercado  poca; 3) O disparo das mensagens era uma das tarefas do contrato. Para essa etapa, a Pepper Interativa procurou a empresa Mind, cujo responsvel era o senhor Alberto Magno; 4) Ao conferir o trabalho do fornecedor, a Pepper constatou que a Mind no conseguiu comprovar que efetuou o envio dos SMS, apenas apresentando uma lista de contatos aleatria. Por esse motivo, a empresa foi dispensada e nada recebeu em razo de o servio no ter sido executado. 
BERNARDO BRANDO 
Assessoria de Imprensa da Pepper Interativa 
Braslia, DF

Correo: o Facebook oficial da presidente Dilma Rousseff  www.facebook.com/palaciodoplanalto ("Piratas fora da rede''. Holofote, 4 de dezembro).

PARA SE CORRESPONDER COM A REDAO DE VEJA: as cartas para VEJA devem trazer a assinatura, o endereo, o nmero da cdula de identidade e o telefone do autor. Enviar para: Diretor de Redao, VEJA - Caixa Postal 11079 - CEP 05422-970 - So Paulo - SP; Fax: (11) 3037-5638; e-mail: veja@abril.com.br. Por motivos de espao ou clareza, as cartas podero ser publicadas resumidamente. S podero ser publicadas na edio imediatamente seguinte as cartas que chegarem  redao at a quarta-feira de cada semana.


1#7 BLOGOSFERA
EDITADO POR KTIA PERIN kperin@abril.com.br

RADAR
LAURO JARDIM
CINEMA
A Ancine acaba de aprovar a captao de recursos de um filme sobre Tiradentes. Um Certo Joaquim vai custar 3 milhes de reais. www.veja.com/radar 

COLUNA 
RICARDO SETTI 
JUSTIA 
Parece inacreditvel: mais de um tero dos senadores em exerccio de mandato enfrentam problemas na Justia. Dos 81 senadores, 28 tm contas a prestar aos tribunais. www.veja.com/ricardosetti 

COLUNA 
AUGUSTO NUNES 
GENOINO 
A dramtica carta de Getlio foi escrita por algum que saa da vida para entrar na histria. A pattica carta de renncia de Genoino foi o ltimo suspiro do mensaleiro obrigado a sair da vida pblica para entrar no histrico do presdio da Papuda. www.veja.com/augustonunes  

COLUNA 
RODRIGO CONSTANTINO 
ECONOMIA 
No existe almoo grtis. Para investir,  preciso poupar. So mximas bvias. Mas abaixo da linha do Equador muitos pensam que  possvel aumentar consumo e investimento ao mesmo tempo. www.veja.com/rodrigocostantino

SOBRE IMAGENS
RIO DE JANEIRO
A exposio Sebastianpolis  Fotografias do Rio de Janeiro, 1900-1930, em cartaz em So Paulo, traz 55 imagens histricas do Rio de Janeiro. Para os amantes da fotografia, a mostra  uma oportunidade nica de apreciar cpias de poca. Algumas esto com viragem a ouro (mtodo qumico de colorizao da fotografia depois de copiada). Vale o destaque para as fotos noturnas, que captam certa nostalgia do Rio no comeo do sculo passado. As imagens so de autoria de fotgrafos paisagistas que mantinham estdios na cidade e produziam cartes-postais. 
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SOBRE PALAVRAS
MADRASTA, PALAVRA QUE J
NASCEU TORTA
Ser que madrasta, a palavra, traz de bero as sombras que at hoje a envolvem  e que se traduzem, numa acepo figurada e popular, como "aquilo de que provm vexames e dissabores em vez de proteo e carinho" (Houaiss), como na expresso "sorte madrasta"? Segundo o fillogo brasileiro Antenor Nascentes, sim. Embora o latim vulgar matrasta, do qual fomos buscar a palavra ainda no sculo XIII, quisesse dizer simplesmente "nova mulher do pai", Nascentes afirma que o termo era em sua origem um despectivo  uma forma depreciativa, ressentida  de mater, "me". Matrasta seria, assim, desde a formao do vocbulo, um arremedo grotesco de mater. 
www.com/sobrepalavras

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1#8 EINSTEIN SADE  TRATAMENTO DO CNCER DE PELE
Avano das tcnicas cirrgicas aumenta a segurana e a efetividade na remoo dos tumores de pele.

     A cirurgia  considerada padro-ouro para o tratamento de praticamente todos os tipos de cncer de pele. A razo  simples: ela garante maior segurana e efetividade, j que o tecido removido segue para anlise, permitindo verificar o tipo do tumor e se ele foi totalmente extirpado. Quando se adotam outros recursos, como terapia fotodinmica, crioterapia e cremes tpicos, no h material para anlise, pois o tecido  destrudo. Consequentemente, essas terapias so reservadas apenas para alguns tumores no melanoma pequenos e superficiais. 
     Na retirada cirrgica em consultrio, o tecido  removido e, posteriormente, enviado para anlise em um laboratrio de patologia. Se o resultado indicar que o tumor no foi completamente extirpado, h necessidade de submeter o paciente a uma nova cirurgia.  
     As cirurgias para os tumores maiores, mais complexos e que necessitem de exame de congelao, devem ser feitas preferencialmente em ambiente hospitalar. Neste caso, durante o ato cirrgico pode ser realizado o exame de congelao, por meio do qual o patologista analisa o tecido removido e alguns pontos das margens. Se as amostras examinadas estiverem livres de clulas cancerosas, o cirurgio conclui o procedimento. Caso contrrio, ser necessrio retirar mais tecido. A tcnica  eficiente, mas pode falhar quando houver tumor comprometendo margens que no foram analisadas.  
     A cirurgia microgrfica de Mohs  uma tcnica que permite a anlise, tambm por meio de congelao, de 100% das margens do tecido removido durante o ato operatrio.  feito um mapeamento e o exame meticuloso das margens para deteco precisa de clulas tumorais. Quando h reas comprometidas,  realizada nova retirada e anlise, at a eliminao total do tumor. A cirurgia de Mohs  considerada a mais segura e eficaz para o tratamento de diversos tumores cutneos. Ela  indicada principalmente no tratamento dos tumores de pele, mal delimitados, infiltrativos, que no foram removidos completamente e recidivados.  
     Portadores de tumores em reas esteticamente importantes como nariz e plpebras, mesmo que pequenos e bem delimitados, tambm podem se beneficiar da cirurgia de Mohs. Como a avaliao  mais completa, o cirurgio pode retirar menor quantidade de tecido saudvel em volta do tumor, o que reduz a cicatriz cirrgica. Essa tcnica, porm, raramente  utilizada no tratamento do melanoma. 
     A retirada cirrgica convencional ainda  o tratamento de escolha para boa parte dos tumores cutneos, mas a cirurgia microgrfica de Mohs, cada vez mais empregada no Brasil, vem se somar ao leque de opes para o tratamento dos cnceres de pele, com indicaes precisas para certos tipos de tumores. 

Saiba mais sobre este e outros assuntos no sito www.einstein.br 
Sugira o tema para as prximas edies: einstein.saude@einstein.br
Sua sade  o centro de tudo
Responsvel Tcnico:
Dr. Miguel Cendorogio Neto - CRM: 48949

